Informações Importantes

Autismo



Foi em 1943, que Kanner, um psiquiatra infantil descreveu um grupo de 11 crianças que apresentavam características comuns, sendo a mais notável a incapacidade de se relacionar com outras pessoas. Kanner utilizou como título do seu trabalho: “Autistic Disturbance of Affective Contact”, que, em português, significa Distúrbio Autístico do Contato Afetivo. Kanner dividiu o autismo em primário, que ocorre desde o nascimento, e secundário que se manifesta após alguns anos.

 

Sendo as principais características identificadas por Kanner: falha no uso da linguagem, incapacidade de se relacionar com os outros, desejo obsessivo em manter as coisas da mesma maneira, medos inapropriados a coisas comuns, e excitação fácil com determinados objetos. Na mesma época, Hans Asperger definia outra síndrome, na qual se observavam comportamentos ligeiramente diferentes, essa síndrome foi chamada de “Asperger Syndrome”, sendo que nesta, as características se diferenciavam da de Kanner pelo fato de existirem aptidões linguísticas e cognitivas mais elevadas.

 

Em 1994 o autismo ainda era uma disfunção considerada incomum, que acometia apenas três de cada 10 mil crianças nascidas. Hoje, duas décadas depois, consta que o autismo acomete cerca de uma a cada 68 crianças. Novas e importantes organizações já chamam de epidemia o número crescente de diagnósticos, ou seja, hoje, o autismo não é um distúrbio raro, sendo mais comum em meninos do que em meninas.
A prevalência pode estar relacionada a vários fatores, como o aumento da consciência dos pais, o maior conhecimento dos profissionais (médicos, educadores, pediatras, psicólogos, entre outros) sobre a patologia e a criação de mais instrumentos de rastreamento do diagnóstico, sendo todos esses fatores importantes na contribuição para a melhoria do diagnóstico das crianças. É importante saber que o autismo é um quadro clínico complexo e com uma variação que vai de traços leves, os quais não permitem fechar um diagnóstico, até o quadro mais grave com todos os sintomas presentes.

 

No ano de 2013 foi lançado o DSM-5, sendo feitas algumas modificações, sendo a principal a eliminação das seguintes categorias: Transtorno Global do Desenvolvimento sem outras especificações, síndrome de Asperger e Transtorno Desintegrativo da infância. Assim sendo, só existirá uma denominação: o Transtorno do Espectro Autista (TEA), que passa a ter dois domínios que são: Déficit na Comunicação Social e Padrões Restritos e Repetitivos de Comportamento, que são classificados como: Leve, Moderado e Grave.
Quando a criança recebe o diagnóstico é de extrema importância iniciar imediatamente a intervenção de estimulação precoce. O objetivo da estimulação precoce é desenvolver e potencializar as habilidades intelectual, físico e afetivo da criança, sendo assim, uma criança estimulada aproveitará sua capacidade de adaptação ao meio, de forma simples, rápida e intensa. Deste modo, o estímulo faz uma junção de adaptabilidade do cérebro à aptidão de aprendizado, oportunizando várias experiências que farão a criança adquirir habilidades e entender tudo que acontece ao seu redor. Isto posto, é nos primeiros anos de vida que ocorrem diversas modificações importantes no processo de desenvolvimento, é nessa fase que ocorre a maturação neurológica, na qual o organismo se torna apto ao processo de crescimento global. No entanto, a carência ou a ausência de estimulação nos primeiros anos pode resultar em uma diminuição do ritmo do processo evolutivo, do desenvolvimento cognitivo, motor, sócio-afetivo e da linguagem.
Tendo em vista que o diagnóstico e a severidade das características do Transtorno do Espectro Autista – TEA, pode ser devastador para a família. O acolhimento dessa família no momento do diagnóstico é fundamental para o desenvolvimento da criança e consequentemente na qualidade de vida para todos do núcleo familiar. Estruturar a família pode ser determinante para o desenvolvimento da criança. Dentre toda a complexidade da intervenção da criança com TEA, o tratamento precisa ser feito com uma equipe interdisciplinar, no qual médico, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, musicoterapeuta, pedagogo e psicomotricista, juntamente com, pais/cuidadores, escola estejam em plena sintonia interligados para o desenvolvimento e aprendizado da pessoa com TEA.

Autora: Thaís C. de Oliveira Kiquio

 

 

 

 

 

Autismo


Voltar